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Covid-19 no Amazonas: elementos de contexto, por Hervé Théry

  • Publicado: Quarta, 13 de Maio de 2020, 19h08
  • Última atualização em Quarta, 13 de Maio de 2020, 19h08

Hervé Théry 

Pesquisador emérito no CNRS-Creda (Centre National de la Recherche Scientifique, Paris) e professor na Universidade de São Paulo (USP-PPGH) 

 

Os mapas abaixo dão elementos do contexto no qual se situa a atual epidemia de Covid-19 no Amazonas. Ambos têm por base anamorfoses, processo pelo qual os territórios são deformados em função de uma característica estatística.  

O primeiro utiliza esse processo para representar os municípios do Amazonas de acordo com sua população oficial em 2019, fornecendo uma imagem do território em que se percebe a o peso de Manaus, um caso claríssimo de macrocefalia. Em contraste, os municípios periféricos passam a encolher significativamente, apesar de ser os maiores do Estado (como se vê no pequeno mapa auxiliar abaixo do principal, onde a malha municipal tem o seu desenho normal). 

A graduação de cores azuis aplicada a esta malha transformada pela anamorfose, baseada no índice Firjan de desenvolvimento municipal 2018 (base 2016), indica que a desproporção demográfica é repetida e ampliada na combinação de fatores nos quais se fundamenta o índice (emprego e renda, educação e saúde). 

Os círculos proporcionais ao número de casos de Covid-19 confirmados até o dia mostram que os números absolutos são obviamente mais elevados na capital, mas que a proporção de casos por 10 000 habitantes (marcada pela sua graduação de cores) é mais forte no interior, especialmente em Manacapuru.

A malha de fundo do segundo mapa é uma anamorfose baseada no PIB municipal 2017, que amplia ainda mais a predominância de Manaus. Nela os círculos são proporcionais ao número de óbitos declarados até o dia 7 de maio de 2020 e a gradação de suas cores reflete a letalidade da doença em cada município (proporção de óbitos entre os doentes)  

Desta vez a cor atribuída à malha de fundo, transformada pela anamorfose, é pautada na proporção de pessoas que se declararam de religião evangélica pentecostal no censo demográfico de 2010 (atualmente o último disponível). Não tem, obviamente, nenhuma relação causal entre esta opção religiosa e a gravidade da epidemia, apenas uma correlação estatística (confirmada por outras testes) que passa por coincidência com outros fatores (pobreza, ausência de distanciamento nos cultos), que deverá ser analisada em trabalhos seguintes. 

 

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